Quem sou eu

"Só não se perca ao entrar, no meu infinito particular..."

Do verbo amar...

Não, ela não sabia que eu a amava não só porque ela era diferente de todas as outras ou porque eu nunca havia sentido nada assim antes. Mas, eu a amava principalmente pela forma que ela sorria ou quando me olhava fixamente e abria o sorriso mais lindo do mundo antes de me arrancar um beijo. Eu a amava pela forma como ela dançava sempre descompensada, desconsiderando toda a coreografia da canção.
Eu a amava pela forma como sempre criticava a minha falta de organização e pelo jeito único que ela tinha de agradecer aos meus presentes. Eu a amava pela forma como me acordava e o jeito que arrumava para dizer o quanto me achava uma das pessoas mais lindas desse mundo. Eu amava suas expressões diretas e imediatas ao ver alguma coisa engraçada, e amava ainda mais quando essas viam seguidas de grandes risadas. Como era bom ouvir, sentir e ver aquele sorriso que acalmava o meu dia!
Eu a amava pelas suas raras horas solitárias, pelo seu raro silêncio, e pela forma que seus olhos revelavam isso só pra mim, enquanto ela se distribuía “feliz” aos outros. E eu a amava pela mania de tentar me tirar da rotina, pelo jeito único de desconfiar de tudo e todas as coisas, pelos poucos livros que só ela havia lido e pelas manhãs quando descia do meu carro e eu ficava ali esperando ela virar a esquina. 
Eu a amava pela forma como segurava a minha mão no cinema e pelas noites em que nos amávamos de um jeito único que nunca mais poderá ser vivido. Eu a amava pela forma como brigava por tudo e pelo nosso jeito teimoso de nunca concordar em nada.
Eu a amava pela forma pessimista de olhar a vida e pelo jeito como a gente discordava quanto aos nomes dos nossos filhos. Eu a amava pelo jeito como acordava emburrada quando eu a acordava antes das 10 da manhã e pelo jeito diferente de me pedir um beijo, não pedia, só me olhava! 
Eu a amava pelo cheiro único que ela carregava na curva onde o pescoço se transforma em ombro e pelo seu jeito nada metódico de levar a vida. 
Eu a amava pelas palavras sinceras e pelo egoísmo em me querer só pra ela. Eu a amava pelo ciúme terrível que tinha de qualquer um que se aproximasse de mim e pela forma indiscreta de demonstrar todo seu cuidado e carinho.
Amava, amava, amava... 
Não me leve a mal por conjugar o verbo no passado, é que eu sou apegada a detalhes e hoje quando acordei, não consegui perceber mais nada em você que me fizesse conjuga- lo no presente! 

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